Beija-Flor se despede de Neguinho no desfile de 2025 e homenageia Laíla

 Desfile destacou o legado de Laíla, incluindo sua passagem por outras escolas e sua fé, e marcou a despedida do cantor do carro de som


A Beija-Flor de Nilópolis fez um desfile emocionante em 2025, homenageando Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o Laíla, grande mestre do carnaval carioca, que faleceu em 2021. Laíla foi responsável por 13 dos 14 títulos da escola e foi lembrado não só pelo seu trabalho na Beija-Flor, mas também pelas contribuições a outras agremiações, como Salgueiro, Grande Rio, União da Ilha, Vila Isabel e Unidos da Tijuca.


Emoção foi a palavra de ordem na passagem da Beija-Flor de Nilópolis pela Sapucaí. Afinal de contas, não só o enredo sobre Laíla mexia com o público, mas, especialmente, a despedida de nosso maior ícone da passarela do samba, Neguinho. No começo, só as primeiras palavras que Neguinho falou no microfone já deixaram o público em polvorosa, e a passagem dele pela Avenida foi recheada de emoção. Neguinho cantou muito bem, mas não foi só a emoção da passagem dele, não. Também teve um ótimo desempenho de samba, que é espetacular, sem dúvida, e muito bem levado pela bateria dos mestres Plínio e Rodney. Foi a primeira vez, eu acho, desde o começo deste carnaval, que a gente viu uma passarela inteira cantar um trecho do samba — avaliou o colunista Leonardo Bruno.


O enredo “Laíla de Todos os Santos, Laíla de todos os sambas” destacou a fé do homenageado, que era católico, umbandista, candomblecista e acreditava nas tradições do povo cigano e nos pretos velhos. A homenagem também lembrou sua importância na evolução da Beija-Flor, como a introdução de uma intensa rotina de ensaios e o trabalho de harmonia que levou a escola a ser reconhecida como um "rolo compressor" no carnaval.


O desfile também fez referência a grandes momentos de Laíla, incluindo o icônico "Ratos e urubus, larguem minha fantasia" (1989), e reforçou sua ligação com a música, já que Laíla era um autodidata e participava ativamente da produção dos sambas-enredo. Além disso, a escola fez uma homenagem especial ao lado espiritual de Laíla, com João Vitor Araújo, o carnavalesco, realizando um ritual com defumador, inspirado nos hábitos do homenageado.


O desfile também marcou a despedida de Neguinho do carro de som, o cantor histórico da Beija-Flor, encerrando uma era na escola.

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