Noite de bons desfiles tem como destaque a Porto da Pedra e a emoção do Império Serrano
Série Ouro encerrou suas apresentações na manhã deste domingo.
O desfile da Porto da Pedra.
A segunda noite de desfiles da Série Ouro foi marcada por bons desfiles de escolas de porte médio, que dificilmente disputarão o acesso ao Grupo Especial. Agremiações como a Acadêmicos de Niterói e a União do Parque Acari fizeram bons desfiles, mas, na briga, mesmo, só deve entrar a Unidos do Porto da Pedra, em nível semelhante ao que fizeram Estácio e Maricá na primeira noite. Já de manhã — os atrasos pareciam controlados, mas persistiram —, o Império Serrano, fora da disputa, encerrou o grupo com emoção.
A Liga RJ prometeu, e o segundo dia de desfiles da Série Ouro começou praticamente no horário marcado, 21h, e com uma velha frequentadora da Marquês de Sapucaí: a Tradição, que depois de uma década, voltava ao palco onde já homenageou Silvio Santos e cantou sambas de João Nogueira e Paulo César Pinheiro. Com o enredo “Reza”, que passeava pela religiosidade em suas diversas manifestações (de forma um tanto genérica), a azul-e-branco do Campinho veio com a invenção de ficar no grupo, carros alegóricos grandes e muito canto dos componentes — que, ameaçados pelo relógio, tiveram que correr no fim. Rezar um pouco para ficar pode ser bom.
Diferentemente da coirmã que a antecedeu, a União do Parque Acari não deve temer o rebaixamento. Retratando o violão em “Cordas de prata: o retrato musical do povo”, do carnavalesco Guilherme Estevão (ex-Mangueira), a escola tricolor apareceu bem vestida e colorida, com carros e figurinos de bom gosto. O samba dolente, quase uma seresta, de Moacyr Luz, embalou a agremiação rumo a um final feliz, apesar do estouro do tempo em um minuto.
Terceira escola a desfilar, a Acadêmicos de Vigário Geral homenageou o jornalista e dramaturgo Francisco Guimarães, o Vagalume, primeiro a retratar o carnaval nos jornais. Menos requintada do que a Acari, a Vigário veio com um samba acelerado e boa performance da bateria de mestre Luygui. A tricolor da Zona Norte não disputa um lugar no Grupo Especial, mas tampouco deve se preocupar com o descenso.
Primeira escola hors-concours a se apresentar na noite de sábado, a Unidos de Bangu, se não tivesse avisado, ninguém saberia que tinha sido vítima de um incêndio. A agremiação da Zona Oeste pareceu completa ao abordar a questão indígena em “Maraka’Anandê – Resistência ancestral”. Animada e colorida (apesar de um desenvolvimento de enredo algo óbvio), a Bangu poderia perfeitamente competir com as outras escolas da Série Ouro.
Depois de alguns bons desfiles, a primeira escola com porte de Grupo Especial da noite veio de São Gonçalo: o Porto da Pedra, que desfilou entre as grandes em 2024 (e poderia não ter caído, não fossem problemas técnicos), veio com a faca nos dentes contar a história da Fordlândia, tentativa do empresário Henry Ford de estabelecer uma fábrica em plena Amazônia, aproveitando os seringais. Com a voz de Wantuir (sempre identificado com a escola) e a bateria de mestre Pablo defendendo um samba raçudo, a alvirrubra briga com Estácio e Maricá pela promoção ao Grupo Especial. Ao fim do desfile (assinado pelo carnavalesco Mauro Quintaes), um carro alegórico decorado com restos de ferros-velhos simbolizava as ruínas da fábrica da Ford tomadas pela selva amazônica.
Não se pode acusar a São Clemente de falta de originalidade: a única escola da Zona Sul na Série Ouro prometia retomar seu político e irreverente ao abraçar a causa animal, em “A São Clemente dá voz aos que não têm”. Apesar de uma escola animada e de momentos de fofura, faltaram acabamento e ideias mais criativas.
Sem experiência de Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói (antiga Sossego) foi mais uma a fazer uma bela apresentação. Retratando as festas juninas em “Vixe Maria”, a azul-e-branco veio colorida e criativa, no ritmo do forró, bem puxada por Nêgo.
Última a pisar na Avenida na série ouro deste ano, o Império Serrano lavou sua alma na Avenida. Se o enredo foi batizado com um ensinamento de Beto Sem Braço, compositor homenageado pelo desfile deste ano, ele foi levado à risca: “o que espanta miséria é festa”. Sol forte, relógio estourado e muita festa. Lágrimas também, é verdade, de componentes que viram suas fantasias serem perdidas a menos de um mês do carnaval. Saber que não teria julgamento foi o que o Império precisou para fazer uma apresentação histórica. Seja quem for o vencedor, o carnaval para sempre se lembrará do Império Serrano 2025.
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