Salgueiro celebra fé e malandragem com o samba mais ouvido do carnaval
A Vermelha e Branca foi a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval
Desfile do SalgueiroTerceira escola a desfilar no segundo dia de desfiles, o Salgueiro trouxe o enredo "Salgueiro de corpo fechado", que abordou a fé e religiosidade no Brasil, destacando tanto as religiões de matriz africana quanto influências de outras culturas. A ideia do "fechamento de corpo", originária do antigo Império do Mali, trouxe ao desfile referências aos amuletos e patuás, muito presentes na cultura brasileira, especialmente em Salvador.
Vimos um desfile do Salgueiro com uma temperatura que poucas vezes vimos aqui na passarela do samba esse ano. A escola entrou de cara nova: o carnavalesco Jorge Silveira, o puxador Igor Sorriso, o coreógrafo da comissão de frente Paulo Pina, todas figuras novas na escola. Mas com a sua velha e boa garra, temperatura alta, com calor salgueirense que a gente está acostumado e que já não via há muito tempo. Um desfilaço, levado pelo seu samba, que não era apontado como um dos melhores do ano, mas sempre foi muito cantado e que rendeu muito bem, especialmente pelo desempenho da bateria dos mestres Guilherme e Gustavo, que deu um show com paradinhas incríveis, usou muito bem os atabaques e acabou carregando a escola. Outro destaque é o carnavalesco Jorge Silveira, com muita criatividade — avaliou o colunista Leonardo Bruno.
O samba da escola foi o mais ouvido no Spotify durante o ano, sendo um grande sucesso de público. Além disso, o Salgueiro também homenageou o cangaço, com a bateria fantasiada de Jesuíno Brilhante, e mencionou lendas como a de Moreno, cangaceiro que sobreviveu mais de 100 anos após ser supostamente abençoado por Lampião.
Ao final do desfile, a escola fez uma homenagem à malandragem, com um carro inspirado na Escadaria Selarón, na Lapa. A alegoria foi decorada com milhares de peças vermelhas e 70 azulejos feitos à mão por artistas selecionados. Também foi feita uma homenagem ao intérprete Quinho, falecido em 2024, com a frase "Arrepia, Salgueiro", que ele popularizou.
Por fim, o carro do candomblé, que trouxe esculturas dos orixás, foi equipado com um reservatório para comportar 3 mil litros de água, simbolizando a importância dos orixás e da religiosidade no desfile.

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