EXECUÇÃO DE TOTA: AMIZADE, CIÚMES E A GUERRA NOS BASTIDORES DO JOGO DO BICHO
Pedro José de Assis Baptista, mais conhecido como “Tota”, era uma figura influente e respeitada nos bastidores do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Conhecido por sua lealdade a Maninho Garcia — um dos nomes mais poderosos do esquema — Tota não era apenas um parceiro de negócios: era considerado um dos melhores amigos do bicheiro.
Durante anos, Tota e Maninho atuaram juntos em diversas frentes. Um dos principais pontos de operação era o tradicional clube Sírio Libanês, em Botafogo, onde comandavam o jogo ilegal com mão firme e rede bem estruturada. Também estavam envolvidos com máquinas caça-níquel e o chamado “jogo de ronda” nas áreas dominadas pelos Garcia.
Após o assassinato de Maninho, coube a seu Miro, figura central da família Garcia, manter a ordem. Ele autorizou Tota a continuar com os negócios, reconhecendo o vínculo de confiança construído com seu filho. No entanto, a estabilidade durou pouco. Com a morte de seu Miro, uma disputa silenciosa começou a se desenhar.
Dois nomes emergiram nesse vácuo de poder: BID e Rogério Mesquita. Este último, em especial, carregava ressentimentos antigos contra Tota. Segundo fontes próximas ao grupo, Mesquita sentia ciúmes da amizade estreita entre Tota e Maninho — um laço que ele jamais conseguiu reproduzir.
Mas foi fora do campo dos negócios que a situação explodiu. Mesquita tinha um fetiche peculiar: costumava incentivar sua companheira a manter relações sexuais com outros homens, sob seu consentimento. Entre os envolvidos, estariam o próprio Tota e Maninho. A dinâmica, que parecia controlada, saiu do eixo quando a mulher de Mesquita decidiu encontrar Tota por conta própria, sem o aval do marido.
O episódio foi encarado como uma afronta pessoal. O que poderia ter sido uma desavença interna virou uma questão de honra. Dias depois, Tota passou a ser alvo de ameaças veladas. A tensão atingiu o ápice em 15 de junho de 2007, quando ele foi executado. Investigações apontam que o responsável pelo crime teria sido o miliciano Capitão Adriano, supostamente contratado por Rogério Mesquita para realizar a retaliação.
A morte de Tota expôs as fissuras dentro do próprio sistema que ele ajudou a construir. Uma aliança antiga desfeita por ciúmes, desejo de vingança e o lado obscuro das relações entre poder, lealdade e desejo.
O caso, até hoje, permanece sem solução judicial. Mas nos bastidores do crime organizado, a história é conhecida — e serve como lembrança de que, nesse universo, amizades podem ser tão letai
s quanto traições.


Comments
Post a Comment