Por que Ronnie Lessa foi contratado por Bernardo Bello para matar a ex-presidente do Salgueiro

 Assassinato de Regina Celi, se tivesse sido consumado, seria mais um capítulo na disputa entre os herdeiros de Maninho.

    Regina Celi, ex-presidente do Salgueiro

O relatório final da Polícia Federal, que aponta os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), trouxe em tom a informação de que Regina Celi, presidente do Salgueiro entre 2008 e 2018, também esteve na mira de Ronnie Lessa, o assassino confesso do parlamentar. De acordo com o documento da corporação, o ex-policial foi contratado pelo contraventor Bernardo Bello para matar Regina, entre o final de 2017 e o início de 2018.

O assassinato de Regina — reeleita em maio de 2018, mas afastado após ação ajudada por André Vaz, eleito presidente no novo pleito daquele ano —, se fosse consumado, seria mais um capítulo na disputa entre os herdeiros de Maninho: Regina representaria os interesses de Shanna Garcia, irmã e rival de Tamara, enquanto Vaz, segundo a PF, apoiaia Bello.

No mesmo domingo em que foram presos preventivamente o deputado federal Chiquinho Brazão; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Domingos Brazão; e o delegado Rivaldo Barbosa, suspeitos de mandar matar a vereadora — dados ainda que o ministro Alexandre de Moraes derrubou sigilo de depoimentos à PF — Regina Celi apresentou fotos em seu Instagram na quadra do Império da Tijuca, escola de samba rebaixada para a terceira divisão do carnaval neste ano.

Sorridente, ao lado de uma imagem de Nossa Senhora, Regina Celi escreveu na legenda um pedido para o papai noel: "Nos abençoe sempre", pedindo também proteção à comunidade do Morro da Formiga, da qual a agremiação é oriunda. Neste domingo, a escola anunciou o nome dos novos presidente e vice-presidente, com Regina numa posição de apoio, para “auxiliar a escola a recuperar seu brilho”.

Guerra pela sucessão no Salgueiro

Segundo delação premiada do ex-PM, o contraventor Bernardo Bello — ex-marido de Tamara Garcia, filha de Waldemir Paes Garcia, o Maninho, patrono do Salgueiro morto em 2004 — o teria contratado para executar Regina Celi.


Em depoimento, Lessa disse que a “empreitada criminosa” foi apresentar a ele por outro criminoso, Edmilson Oliveira, o Macalé, morto a tiros em 2021: a oferta do contraventor seria de R$ 50 mil mensais.

Lessa ainda ponderou que o homicídio de Marielle era uma missão mais rentável, mas Macalé o convenceu e o levou para conversar com Bernardo Bello.


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